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Petróleo recupera e aumenta o medo de um choque de oferta

PONTOS IMPORTANTES:

  • O petróleo sobe devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz e ao risco de o Irão ter de interromper a sua produção.
  • Donald Trump falou em dias, mas os analistas estimam que o impacto real poderá demorar entre um mês e dois meses.
  • O mercado já está a avaliar um possível corte na oferta global, empurrando os preços para cima mesmo sem uma crise imediata.

O preço do petróleo bruto voltou a subir acentuadamente e, por trás do movimento, há mais do que apenas volatilidade. As declarações de Donald Trump sobre o Irão e o Estreito de Ormuz fez soar o alarme no mercado, que começa agora a desconsiderar um possível choque de oferta nas próximas semanas.

Por esta razão, o barril de Brent subiu 2,5% para US$ 101,70, enquanto o WTIo índice de referência dos EUA, saltou 2,2%, para US$ 96,50.

A mensagem foi direta. Trump garantiu que o Irã “temdias”Antes de ser forçado a interromper a produção de petróleo. Uma frase que, embora soe exagerada, foi suficiente para sublinhar um dos pontos mais sensíveis do mercado energético global.

O factor Irão que empurra o petróleo

A origem da subida está no bloqueio do Estreito de Ormuz promovido pelos Estados Unidos em meados de abril. Este passo estratégico, onde cerca de 20% do petróleo mundial circulaé fundamental para as exportações iranianas.

A ideia da Casa Branca é levar Teerão ao limite. De acordo com Ian Bremmer, fundador do Eurasia Group, “A economia iraniana estará sob tal pressão que a liderança política aceitará um acordo”. O ponto crítico não é apenas político, mas técnico.

O Irão precisa de continuar a exportar petróleo bruto para não saturar a sua capacidade de armazenamento. Se não conseguir fazê-lo, será forçado a interromper a produção. E é aí que aparece o verdadeiro risco. A retomada da atividade nos poços não é imediata e pode envolver danos permanentes à infraestrutura.

O mercado já reagiu a esse cenário. Menos oferta potencial equivale a preços mais altos. E é por isso que o petróleo bruto se recupera.

Dias ou meses? O grande desconhecido

O problema é que ninguém sabe ao certo quando esse ponto de ruptura poderá chegar. E é aí que as versões se chocam.

Trump falou de um resultado quase imediato. “Eles só têm cerca de três dias antes que exploda.”ele disse na Fox News. Mas vários analistas acreditam que este prazo está longe da realidade.

Do Eurasia Group eles estimam que O Irã pode resistir por cerca de um mês. Outras análises estendem essa margem até junho. Mesmo da Wolfe Research consideram que o país tem até dois meses antes de enfrentar verdadeiros encerramentos de produção.

Tobin Marcus foi claro sobre isso. Ele descreveu a cena como “um confronto longo e doloroso” e descreveu a ideia de um colapso imediato como “absurda”.

Por que o mercado já está se movendo

Embora o cronograma seja incerto, os investidores não aguardam confirmações. O petróleo é um mercado que reage às expectativas e não aos factos concretizados.

A possibilidade de uma parte relevante da oferta global ficar comprometida, mesmo que temporariamente, já é suficiente para empurrar os preços para cima. A isto soma-se o contexto geopolítico, com negociações abertas e uma estratégia dos EUA que parece apostar mais na pressão económica do que num conflito direto.

Da Capital Economics eles resumiram isso sem rodeios. Se esta tensão for prolongada, “Será cada vez mais difícil para o mercado ignorar a crise”.

Por outras palavras, o petróleo não está a subir apenas por causa do que está a acontecer hoje, mas por causa do que poderá acontecer amanhã.

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